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Ambiente
A Secção de Ambiente da Nascente afirma‑se como um espaço onde cultura, território e cidadania se encontram. O trabalho da secção parte da ideia de que a relação com o ambiente não se constrói apenas através de ciência e educação ambiental, mas também através da memória coletiva que moldou o modo como as comunidades utilizam a paisagem ao longo dos tempos. Elementos do património etnográfico, como o Castro de Ovil, a tradição piscatória da arte xávega, as lendas que enriquecem os lugares, as ribeiras que estruturam a vida dos concelhos da região, a tradição feirante ou a memória das antigas fábricas, mostram como as comunidades de Espinho e dos territórios vizinhos se relacionaram com a paisagem ao longo do tempo.
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A este conjunto juntam‑se espaços naturais como a Barrinha de Esmoriz – Lagoa de Paramos, os cordões dunares e as praias, marcadas por uma forte tradição balnear que moldou hábitos, sociabilidades e formas de viver a paisagem costeira. Também a agricultura, praticada sobretudo em pequena escala e muitas vezes ligada ao cultivo familiar, revela modos de uso do solo que fazem parte da identidade local e que hoje inspiram novas possibilidades de agricultura urbana e comunitária. Entre estes testemunhos, destaca‑se ainda o espírito comunitário associado às populações piscatórias, um valor que continua a ser um ativo importante para mobilizar participação, responsabilidade e cuidado ambiental no território.
Tal como herdamos esta riqueza cultural e natural, herdamos também desafios que exigem atenção e ação. Muitos ecossistemas revelam pressões acumuladas, persistem fragilidades resultantes de décadas de transformação urbana e a região enfrenta hoje a ameaça crescente das alterações climáticas, bem como a proliferação de espécies invasoras que afetam rios e ribeiras, dunas e espaços verdes um pouco por todo o país. A tudo isto soma‑se um afastamento crescente de muitas crianças e jovens em relação ao meio natural, o que torna ainda mais urgente recuperar experiências de contacto direto com a natureza e reforçar a ligação afetiva ao território. Reconhecer esta dupla herança, feita de valores e de vulnerabilidades, ajuda a compreender a necessidade de cuidar da paisagem que recebemos e de construir uma relação mais equilibrada com o território.
É neste cruzamento entre conhecimento técnico, história local e participação cívica que a Secção de Ambiente promove debates, dinamiza atividades práticas e desenvolve projetos colaborativos que dão voz e aproximam cidadãos de todas as idades dos ecossistemas que os rodeiam. Esta ação faz da Nascente uma ponte entre a comunidade e os poderes locais, mantendo um espírito livre, autónomo e comprometido com o interesse público. Num tempo em que as questões ambientais ganham centralidade nas políticas públicas e no quotidiano das pessoas, este trabalho torna‑se uma peça essencial na missão da Nascente, que passa por fortalecer uma comunidade informada, consciente e capaz de agir sobre o seu próprio futuro.
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