Poesia

Pudesse eu infinita cavalgar
Como a Abelha no Prado
Visitar os meus sítios preferidos,
E não ser visitada

“Hebarium”, de Emily Dickinson – traduzido por Ana Luísa Amaral, especialista na obra de Dickinson – traz-nos uma coletânea de poemas que ligam a natureza, a vida e a morte.

Reconhecida atualmente como uma das vozes mais influentes da poesia anglófona, Emily Dickinson (1830–1886) escreveu mais de 1800 poemas, dos quais apenas cerca de uma dezena foram publicados durante a sua vida.

Desde criança colecionava flores – aprendendo a classificar cada uma – e, neste livro, reúne vários poemas que conecta com elementos da natureza, tais como flores, folhas, rios ou florestas. Esta edição bilingue permite-nos ler o texto original e a versão portuguesa, de forma a entendermos melhor a intenção da autora.

Aqui, a botânica e a poesia andam de mãos dadas, onde vemos, de forma apaixonada, pessoal e natural, o mundo de Dickinson. Enquanto na natureza vemos cores, ela via palavras.

Este é um livro de poesia essencial para os amantes da natureza, fazendo-nos sentir vivos e olhar de uma outra forma para as pequenas coisas.

No entanto, o verdadeiro destaque deste livro é o seu centro, um herbário que reúne todas as flores e folhas que Emily recolheu, secou e classificou. Uma verdadeira preciosidade.

Um livro com sabor a primavera, que nos faz sentir o sol, os bosques, as florestas e as montanhas.

 

– Bárbara Bleco