Página Inicial > EM DESTAQUE > Nascente celebrou 50 anos a olhar para o passado e para o futuro desafiante
Nascente celebrou 50 anos a olhar para o passado e para o futuro desafiante
A sessão comemorativa juntou sócios, ativistas, colaboradores, parceiros e entidades institucionais no Centro Multimeios de Espinho
A Cooperativa Nascente assinalou, na noite de 21 de maio, o seu 50.º aniversário com uma sessão comemorativa no Centro Multimeios de Espinho, reunindo sócios, ativistas, colaboradores, parceiros e representantes institucionais numa celebração marcada pela memória, pelo reconhecimento do percurso construído desde 1976 e pela reflexão sobre os desafios dos próximos anos.
A cerimónia começou com um momento de receção no foyer, que incluiu porto de honra e a inauguração da exposição de cartazes desenvolvidos por escolas, integrada na programação comemorativa do cinquentenário. Já na Sala António Gaio, a sessão formal abriu com a evocação do mote que acompanha as comemorações deste ano: “O sonho comanda a vida”, verso de António Gedeão, que serviu de fio condutor a uma noite dedicada ao passado, ao presente e ao futuro da cooperativa.
O primeiro momento em sala foi a exibição do documentário “Cooperativa Nascente: 50 anos improváveis, um futuro desafiante”, uma produção da Danado, com realização e montagem de Ricardo Leite e coordenação de António Santos. Através de memórias e testemunhos de ativistas, o filme revisitou a história da cooperativa desde os ideais do pós-25 de Abril até aos desafios atuais, cruzando arquivos, vozes e reflexão coletiva em torno de uma instituição que nasceu da vontade de criar cultura em comunidade.
Depois da exibição, Rui Abrantes, presidente da Mesa da Assembleia Geral da Cooperativa Nascente, abriu o momento de intervenções institucionais com um discurso centrado na génese da cooperativa, no seu papel cultural e cívico e na necessidade de garantir condições para que possa continuar a desenvolver a sua missão.
A sessão contou também com a intervenção do presidente da Câmara Municipal de Espinho, Jorge Ratola, que começou por evocar a sua primeira ligação à Cooperativa Nascente, ainda no início dos anos 90, quando trabalhava no Instituto da Juventude.
Depois das intervenções institucionais, a sessão prosseguiu com a apresentação “O Presente do Futuro da Nascente”, dedicada ao percurso recente da cooperativa, às suas transformações e aos desafios dos próximos anos. O momento procurou olhar para a realidade atual da instituição, desde a sua base associativa à modernização da comunicação, à programação cultural e artística, às publicações, à produção audiovisual e ao ecossistema de apoios e parcerias.
A apresentação reforçou a ideia de que celebrar 50 anos não é apenas revisitar a memória, mas também interrogar o caminho a seguir. Entre os temas abordados estiveram a relação com os sócios, a importância da comunicação enquanto ato cultural, a modernização digital da cooperativa, as plataformas associadas ao CINANIMA, à FAN, ao Maré Viva e à Nascente, bem como a necessidade de continuar a alargar redes com universidades, escolas, autarquias, associações e parceiros culturais.
O encerramento artístico da sessão ficou a cargo do Balleteatro, com “O Sonho que Move”, criação inspirada no poema “Pedra Filosofal”, de António Gedeão. Com coreografia e interpretação de Laryssa Bidurin e Hugo Nascimento, a peça apresentou o encontro entre dois seres — a Vida e o Sonho —, num diálogo físico entre o real e o imaginado.
A escolha do momento cultural prolongou o mote das comemorações e devolveu à sessão a ideia que atravessou toda a noite: a de que o sonho não é apenas memória ou abstração, mas força de criação, resistência e movimento. A celebração terminou no foyer do Centro Multimeios, com o bolo de aniversário e um momento de convívio entre sócios, colaboradores, parceiros e amigos da cooperativa. Cinquenta anos depois da sua fundação, a Nascente assinalou a data olhando para trás com gratidão, mas também para diante com a consciência de que, como foi repetido ao longo da noite, há ainda muito por construir.