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“Salamandra Dourada” — como nasce um documentário de natureza?
No dia 18 de abril, a Secção de Ambiente da Nascente organizou a sessão “Salamandra Dourada — como nasce um documentário de natureza?”, realizada na Biblioteca Municipal José Marmelo e Silva. O evento juntou a exibição do documentário Salamandra Dourada a uma conversa aprofundada com o seu autor, o biólogo, fotógrafo e videógrafo Daniel Santos, que partilhou com o público o processo criativo, técnico e logístico de um trabalho desenvolvido inteiramente por si.
Filmado no coração do Parque das Serras do Porto, o documentário revela a vida secreta da salamandra‑lusitânica, espécie endémica da Península Ibérica, e a importância das antigas minas romanas, estruturas originalmente escavadas para extração de ouro e outros minerais, hoje convertidas em refúgios essenciais para a reprodução desta espécie sensível a perturbações. Daniel Santos descreveu o exigente trabalho de filmagem no interior destas minas, ambientes húmidos, escuros e de difícil acesso, onde a resistência física, a perseverança e a atenção ao detalhe se tornam tão importantes quanto o próprio equipamento.
A sessão permitiu ainda enquadrar a complexidade ecológica das Serras do Porto. Trata‑se de um território marcado por pequenos núcleos de vegetação nativa que albergam elevada biodiversidade, mas também por extensas áreas de eucaliptal, recorrentes incêndios e forte pressão de espécies invasoras, constituindo um mosaico frágil, que importa recuperar. Ao longo da conversa, foram abordados aspetos centrais da biologia dos anfíbios e os desafios de conservar a salamandra‑lusitânica num contexto tão exigente.
No final, o público colocou questões ao realizador, demonstrando grande curiosidade sobre o fio condutor da história, os desafios de filmar vida selvagem, o impacto social do projeto e as prioridades para a proteção desta espécie emblemática da fauna portuguesa.