1974/5 – As Boas Famílias

Sobre a Encenação

Este “teatro de cordel” aparece hoje aos nosso olhos ainda despojado da sátira e do riso como a festa e a catarse que é preciso reencontrar. Olhamos para D. Rodrigo e vêmo-lo, hoje, braço dado com o Zoio, no Campo Pequeno. A “filha sábia”, encontrámo-la no café com os manos & Cª. E assim criaremos, como o próprio grupo o fez, a leitura de novos personagens, com peripécias novas (no fundo, a mesma coisa – bisnetos ou tataranetos das do séc. XVIII).

O teatro do povo que foi o “teatro de cordel” nos pátios de Lisboa por volta de 1800 não pode, bem entendido, ser hoje exactamente o teatro popular. Temos disso consciência. Buscamos sobretudo uma linha portuguesa de teatro popular pela primeira vez definida em Gil Vicente nos princípios do séc. XVI e que tem seus pontos de passagem por “O Fidalgo Aprendiz” (séc XVII) e por António José da Silva (séc XVIII). Como vimos, entronca aqui o “teatro de cordel”. Ora como poderá surgir hoje, face ao povo (pensamos sobretudo no povo das aldeias e dos meios operatórios) este tipo de teatro, sem caírmos, claro, no documento histórico mais ou menos escolástico?

Excerto retirado do Programa do espetáculo
apresentado no Teatro S. Pedro a 19 de Fevereiro de 1975

curiosidades

Um espectáculo composto por dois entremezes – “A arte de tourear” e “A filha sábia”.  O primeiro foi apresentado em 1974 em múltiplas salas com apoio do Movimento das Forças Armadas no contexto de sessões de esclarecimento sobre a democracia.  

“As Boas Famílias” estreou em Espinho, em 1975, no Teatro São Pedro.