1975 – Festival de Montemor -o-Velho / O Velho, o Rapaz e o Burro / O Queijo no Poço

Sobre a Encenação

Esta semana recua-se aos anos de 1974 e 1975. Nessa altura, o Teatro Popular de Espinho e o Coro Popular de Espinho integravam a secção cultural da Associação Académica de Espinho. A primeira edição do Maré Viva deste ano (data em que esta rubrica teve o seu início) destacou a peça para adultos – “As Boas Famílias”. Agora, recorda as peças dedicadas aos mais pequenos: “O Velho, o Rapaz e o Burro” e “O Queijo no Poço”, de Domingos Oliveira. A peça para adultos foi apresentada no Festival de Montemor-o-Velho e vários elementos do grupo para crianças, bem como outros colaboradores, acompanharam a deslocação e colaboraram na montagem. Para também ajudar esta jovem redação a lembrar os tempos que lá vão, esta semana Joaquim Fidalgo partilhou com o TPE e o Maré Viva o excerto que se segue. “Era uma raposa e um lobo – e uma espécie de queijo no fundo de um poço. E a raposa matreira a tentar comer o queijo. E, enganada, a tentar enganar o lobo enquanto se salvava. Uma história simples, pequenina, bem conhecida, mas de que a pequenada tanto gostou, numa série de escolas à roda de Espinho. Entrava teatro na (então tão cinzenta) sala de aula, uma gente nova vestia uma espécie de carapuços e ficava num instante raposa, e lobo, e até apareciam umas rãs grasnando ali pelo meio. E acabava tudo a cantar. Era, depois, um velho, um rapaz e um burro. E o povo a criticar se ia o rapaz de burro e o velho a pé, e o povo a criticar se ia o velho de burro e o rapaz a pé, e o povo a criticar se isto e se aquilo. Outra história pequenina, simples, bem conhecida, mas com que a pequenada tanto se divertia, ali no meio da sala de escola, carteiras arrumadas a um canto, dois dedos de conversa com os atores, a Capitolina, o Joaquim, a Emília, o Adriano, a Palmira, a Bela, a Teresa, o pequeno Mota, e mais um pé de dança numa roda festiva. E acabava tudo a cantar. Foi assim durante uns meses, tantas escolas se visitaram, tanto teatrinho se distribuiu por aí, simples, mas bonito e bem feito, que desde o início era assim o TPE…” Joaquim Fidalgo participou nestes espetáculos e, atualmente, faz parte do elenco dos Contarilhos. 

Excerto do Jornal Maré Viva da edição de 22 de março de 2023