1980 – As Espingardas da Mãe Carrar

Sobre a Encenação

Desde 25 de Abril de 1974 muito se tem falado de descentralização cultural. Ora teatro é cultura e a sua divulgação na “província” está intimamente ligada ao trabalho dos grupos de teatro amador. Aqui, em Espinho, veio o papel a caber ao Teatro Popular de Espinho, que consitui uma das secções da Cooperativa Nascente.
O seu último trabalho, uma peça de Brecht, “As Espingardas da Mãe Carrar”, foi finalmente estreado em Espinho, depois de ter sido visto noutras localidades.
E a estreia surgiu no momento em que se comemorava o Dia Mundial do Teatro Amador. Foram três espectáculos em três noites sucessivas que levaram muitos interessados ao salão da Piscina. Uma das sessões, a última, estava intregrada no Festival de Teatro de Amadores que, à semelhança do ano passado, a C.G.T.P. realiza. Esivemos lá e melhor que ninguém os intervenientes no espectáculo poderão ilustrar o que foi e o que se pretendia com tal peça.

O Júri do Festival
[…] Quanto a esta representação pois a minha opinião é bastante positiva, a peça tem um conteúdo profundo, o que é aliás a nossa preocupação, e relaciona-se directamente com a luta dos trabalhadores. O arranjo cénico que foi feito ns parte final parece-me correto. […]

O Público
Peças destas devem ser divulgadas por todo o país, são de facto culturais. Os artistas realizaram cabalmente o seu papel, e nunca pensei que atingissem o nível que de facto atingiram. Daqui se tira a ideia de que não há independentes. Ou se está dum lado ou de outros.

Foi uma noite agradável. É já a 2.ªa vez que vejo a que faz de mãe e gostei do seu papel. Apesar de amadora tem um grande sentido profissional. O significado da peça? Pois, custa a uma mãr deixar ir o filho para uma guerra por causa do amor que por ele sente.

Excerto do Jornal Maré Viva da edição de 27 de março de 1980