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1981 – Egano de Galluzi
Sobre a Encenação
O “Egano de Galuzzi” é o espetáculo destacado desta semana. Domingos Oliveira foi quem escreveu esta história que se baseia num dos contos do “Decameron”, do poeta italiano Giovanni Boccaccio. A performance foi apresentada em antestreia no mês de junho de 1981, solução encontrada para finalizar a montagem, que decorreu numa situação crítica em que o TPE mudou de local de ensaios por três vezes. Depois dos meses de Verão foi apresentada publicamente em Espinho. Este conto baseia-se num comerciante de idade casado com uma jovem rapariga, cuja vida familiar será agitada pela chegada de um jovem que será hóspede na sua casa. Este é o ponto de partida para um texto rico, repleto de factos sobre a sociedade dessa época, onde os conhecimentos científicos, filosóficos e comerciais se cruzam com a narração do quotidiano de uma casa rica e das relações estabelecidas entre patrões, criados e amigos. Em jeito de balanço nessa altura, os atores do Teatro Popular de Espinho reconheceram que a peça era ambiciosa por tentar apontar os principais traços da época e algumas dificuldades surgiram na encenação, bem como na própria representação. “A encenação da peça, muito simples e funcional, deixa cair todo o impacto do espetáculo sobre os atores, e torna-se visível que lhes falta ainda a garra e a experiência suficientes para aguentar totalmente o desafio. Se por um lado são evidentes os progressos feitos por alguns, que surgem quase como uma revelação, não é menos verdade, e isso mesmo reconhecem os próprios elementos do grupo, que o ritmo e rigor da representação se mostram ainda aquém daquilo que se torna imprescindível para vir a fazer do contacto com “Egano de Galluzzi” o ato de prazer, de alegria e de inteligência que é pressuposto em todo o trabalho de teatro que se faz e vê com amor e entrega”- lê-se na edição do Maré Viva de 9 de Julho de 1981.
Excerto do Jornal Maré Viva da edição de 8 de março de 2023