1987 – Homenagem a Carlos Moraes

Sobre a Encenação

No dia 18 de novembro de 1987, o Café – Palácio em Espinho foi o local de uma homenagem prestada a Carlos de Moraes. Nesta iniciativa o TPE apresentou, de forma inovadora, alguns quadros das suas peças – “Pescadores”, “Banhistas”, “Pitadas e Pinguinhas” – com figuras características da época, e “Tribunal do Môcho”, que viria a ser novamente apresentado noutras circunstâncias, com especial agrado do público. Ao longo de décadas, Carlos de Moraes desempenhou um papel relevante na forma como Espinho enveredou na Cultura ao considerar a sua produção literária e diversas atividades realizadas em associações recreativas. Além disso, tinha uma particular referência pelo teatro, tendo partilhado o seu talento singular com o maestro Fausto Neves, o poeta Alberto Barbosa e ainda um grupo de amadores que foram dando corpo às suas criações. Através da poesia, quadras e canções, Carlos de Moraes teve ainda três livros publicados: “Rosas Desfolhadas” (1914), “Aleluia” (1925) e “Chão Movediço” (1949). Falou de Espinho, cantou o amor, denunciou injustiças. Tinha também uma ligação com a imprensa, tendo sido diretor do “Oceano” e colaborado no “Gazeta”, “Reformador” e na “Defesa”. Carlos de Moraes viria a falecer a 5 de outubro de 1975, com 88 anos. O programa de evocação à sua memória contou com momentos de canto, piano, teatro e dança regional protagonizados por diversos agentes culturais locais. A organização do evento esteve a cargo da Academia de Música de Espinho e da Nascente – Cooperativa de Ação Cultural, contando com o apoio da Câmara Municipal de Espinho.

Excerto do Jornal Maré Viva da edição de 17 de maio de 2023