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1988 – Queima da Velha Senhora
Sobre a Encenação
Esta semana viajamos à meia-noite de 24 de abril de 1988, quando “a velha senhora”, um dos símbolos dos tempos de ditadura, foi condenada e queimada num espetáculo que recuperava a velha tradição popular de queimar um símbolo negativo, por vezes acompanhado de um testamento jocoso, o que também aqui aconteceu, interpretado pelo TPE, depois de percorrer as ruas da cidade puxando uma carroça onde ia a figura destinada a arder na fogueira. O Coro acompanhou o cortejo e no final deu um pequeno concerto com canções de resistência, harmonizações de canções populares e, inevitavelmente, a “Grândola, Vila Morena”. Sentia-se a nortada fria, na praia da Baía, e mesmo assim foram muitos os que se juntaram para comemorar o 25 de abril. Esta celebração repetiu-se noutros anos, nomeadamente em 1990. O jornal da época descreve que “era uma velha, muito velha, muito feia, magra, com peitos tão descaídos, talvez, quanto a sua “alma”, estática como o tempo em que viveu”; descreve ainda a leitura da sua sentença a favor da liberdade, que “a velha senhora” não soube respeitar, culminando na sua condenação.
Excerto do Jornal Maré Viva da edição de 5 de abril de 2023