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1994 – A Sombra da Ravina
Sobre a Encenação
Na edição desta semana a iniciativa destacada pelo Teatro Popular de Espinho recai sobre “A Sombra da Ravina”, de John Millington Synge. O espetáculo estreou nos dias 2 e 3 de Dezembro de 1994, no Auditório Nascente. A peça foi composta por seis atores: quatro intervenientes, tal como no livro “A Sombra da Ravina”, e dois comentadores de cena. A história remonta ao início do ano de 1900 e conta a história de um vagabundo à procura de abrigo. Encontra Nora, uma jovem mulher que se encontrava a velar o corpo de um velho senhor que, afinal, estava apenas a fazer-se de morto. Retrata também a origem celta do povo irlandês, o sobrenatural e explora o imaginário da época através do humor, da poesia e do papel preponderante que a música assume. António Paiva foi o encenador, ator e diretor artístico que escolheu a obra e, de acordo com a edição de 1 de Dezembro de 1994 do Maré Viva, foi visitar a Irlanda para conhecer melhor o país e a sua cultura, uma viagem que terá contribuído para a conceção deste espetáculo. “Posso dizer que os irlandeses gostam de funerais, andam muitas vezes vestidos de preto e são muito irradiantes, alegres, efusivos quando bebem a sua cerveja à mistura com whisky. Nessas alturas, nos pubs são ótimos contadores e ouvintes de histórias. Confirmei lá, também, o seu gosto pela nostalgia pelo nevoeiro e pela natureza…”, lê-se as palavras de António Paiva. Uma das curiosidades relativas a este espetáculo tem a ver com o facto de os cartazes terem sido feitos manualmente, através da colagem de cartolinas. Todos eram semelhantes, mas ao mesmo tempo diferentes.
Excerto do Jornal Maré Viva da edição de 22 de fevereiro de 2023