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2000 – De Propósito para Chegar Fora do Tempo
Sobre a Encenação
Levado pela primeira vez a cena no dia 8 de abril de 2000 (no Auditório da Cooperativa Nascente), “De propósito para chegar fora de tempo” foi a proposta do Teatro Popular de Espinho (TPE) para assinalar a passagem do milénio, construída a partir de excertos de obras tão variados de autores como William Shakespeare (“Romeu e Julieta”), Herman Melville (“Moby Dick”), Gil Vicente (“Auto da Barca do Inferno”), Woody Allen (“A Morte Chama”), António Ferreira (“A Castro”), António José da Silva “A Vida de D. Quixote”, Almeida Garret (“Frei Luís de Sousa”) e Goethe (“Fausto”), numa proposta cénica que continuava a linha apresentada desde 1995, conjugando texto, música e movimento numa colagem de cenas que abordavam as ansiedades e matrizes de comportamento da humanidade. Os excertos das obras literárias era “colados” com cenas escritas por elementos do próprio grupo, valorizadas pela interpretação da dupla que as interpretava, dando continuidade através da interligação dos diferentes momentos. Para compreender o título deste espetáculo é preciso perceber a forma como o TPE prepara cada trabalho: o grupo funciona por ciclos que se iniciam depois do verão e cada nova peça é estreada na primavera seguinte. Por isso, quando começou a pensar no que apresentar na primavera de 2000, o coletivo do TPE teve a ideia de fazer algo que assinalasse, ainda que indiretamente, a entrada no milénio, sendo que se instalou uma dúvida: o novo milénio começa agora ou o primeiro só acaba no ano 2000? Esta dúvida metodológica foi o mote para o TPE desenhar um espetáculo onde a intemporalidade da relação do Homem com certos momentos de passagem e mudança é uma constante: nascimento, crescimento e morte. O título é também uma brincadeira com a evidência de a data em que o espetáculo foi apresentado ao público ser posterior ao momento que o mesmo pretendia evocar.