2003 – Feliz Aniversário

Sobre a Encenação

Não é ainda altura de soprar as velas, mas o espetáculo a recordar esta semana é o “Feliz Aniversário”, que estreou em 2003. Foi, aliás, a primeira apresentação do coletivo nesse ano e contou com uma particularidade: a encenação foi realizada por um jovem de 21 anos, o Ricardo Martins Reis. Este trabalho abordou uma peça de Harold Pinter e esgotou nas três vezes que foi exibido ao público. A peça contou com três atos e, embora a história tenha sido considerada como “algo abstrata”, explorou certos valores ao mesmo tempo que entreteve e divertiu a audiência. Nessa altura, em declarações ao Maré Viva, Ricardo Martins Reis expressou gratidão pela oportunidade que lhe foi dada, sobretudo por ter encenado uma das suas peças preferidas. “O grupo é mesmo assim, está aberto a todos quantos queiram fazer algo, basta que tomem a iniciativa, pois as pessoas estão sempre prontas a experimentar coisas novas” – lê-se. O jovem referiu ainda que foi possível transmitir a mensagem pretendida, mas reconheceu que “não há mensagens simples, nem heróis”. “É absurdo e não é, a realidade e a ficção misturam-se muito, mas há coisas importantes que têm a ver com o poder autoritário, a relação entre as pessoas, os seus medos e até que ponto compreendemos o mundo e o conseguimos controlar” – explicou.

Excerto do Jornal Maré Viva da edição de 15 de março de 2023