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2018 – A Paz
Sobre a Encenação
Grécia, cerca de 430 antes de Cristo, em pleno período das Guerras do Peloponeso.
As Guerras do Peloponeso, entre as cidades Estado de Esparta e Atenas arrasam especialmente a região da Ática, região onde se concentram grande parte dos conflitos e batalhas, que fica entre o território de Esparta (na península do Peloponeso) e as muralhas de Atenas. O povo da Ática, que antes das guerras era uma região próspera dedicada à agricultura, depois de ter as casas e terrenos destruídos pelos horrores da guerra, vê-se obrigado a refugiar-se entre as muralhas de Atenas, a potência mais próxima.
Eis que, neste contexto, Trigeu um agricultor vinícola da Ática, decide ir ao reino dos Deuses, no Olimpo, e pedir a Paz a Deméter, a Deusa da Agricultura, a quem Trigeu e os lavradores da Ática veneravam como divindade principal. Trigeu acredita que só Deméter lhes pode devolver a Paz que permitirá que a agricultura possa voltar a desenvolver-se normalmente na Ática e assim os seus habitantes regressar às suas vidas normais. Trigeu prepara então o necessário para subir ao Olimpo, nos céus, num escaravelho, o único animal que, segundo os antigos, conseguiria ultrapassar as nuvens e aceder ao domínio dos deuses. Esta empreitada envolve criar vastas provisões de bolas de estrume, para alimentar o bicho na sua viagem, tarefa que o lavrador incumbe aos seus escravos.
Uma vez no Olimpo, Trigeu é recebido por Hermes, mensageiro dos deuses e o único deles que lá se encontrava de momento. Hermes, Deus do Comércio, dos caminhos e dos viajantes, tem interesse em que as guerras do Peloponeso continuem, porque a cidade estado de Atenas (liderada por Péricles) tem conseguido, graças à sua frota naval (bélica e mercantil) de trirremes (barcos de três fiadas de remos típicos da Grécia antiga, e um triunfo estratégico dos atenienses) prosperar no comércio com outras cidades estado do Mar Egeu, suas aliadas. Para além, disso o êxodo dos campos para a cidade, com os lavradores fugidos da guerra também beneficia Hermes, que sendo divindade das lojas e dos ladrões, é o deus urbano por excelência, tendo tudo a ganhar com o crescimento das cidades e o abandando da agricultura. Trigeu confronta-o e mostra-lhe que é precisamente o contrário: com a guerra os seus objetivos ficam gorados, porque sem agricultura não há mercadorias para as lojas e para os barcos, e o comércio terminará. Contrariado, Hermes aceita ajudar Trigeu, informando-o que a Paz foi enterrada e ele que a descubra.
Pelo meio, assistimos aos confrontos de Ares, deus Grego da Guerra (da Bravura e da Força Militar), patrono dos espartanos, com Atena, Deusa da Sabedoria (e da Estratégia Militar), patrona dos atenienses. Conhecemos a própria Deméter. E até, mesmo, o velho Zeus, o deus dos Deuses, líder do panteão grego, Deus do Trovão, pai de Atenas e Ares, outrora muito poderoso, agora mais caído nas memórias das suas conquistas amorosas.
Após a morte de Péricles (em 429 a. C.), a liderança dos atenienses discute-se entre Nícias, partidário da diplomacia e da paz, e Cléon, político favorável à guerra do Peloponeso. Com a derrota (e morte de Cléon) em 421 a.C., Nícias sobe ao poder e consegue a paz com os Espartanos, instituindo o período designado por “Paz de Nícias”, anunciada para durar 50 anos.
Entretanto, e depois de ter confrontado a própria Guerra no Olimpo, Trigeu regressa a casa. e prepara um festejo, esperançado na tão anunciada paz que o novo governante prometeu.